Tipo: Colheita Tardia

Produtor: Adega de Favaios

Região: Favaios, DOC Douro

Castas: Moscatel Galego (100%)

Teor alcoólico: 14,5%

Por estranho que pareça, a transição do ano não se fez com um borbulhante espumante no copo, tendo antes sido substituído por um vinho menos óbvio e que, para mim, também foi um dos mais surpreendentes Late Harvest que provei, sobretudo porque também ele foi o menos óbvio face às expectativas que podia trazer, tendo em conta a casta com que é elaborado, a Moscatel Galego.

Como casta bastante precoce, atinge estados de sobrematuração com muita facilidade e, nos tranquilos, cria muitas vezes vinhos muito alcoólicos e tendencialmente enjoativos. Pois bem, neste Late Harvest, todas as teorias que possam existir sobre a uva caem por terra e o prazer que este vinho de colheita tardia nos traz é uma absoluta e muito positiva surpresa.

Em 2013 houve também uma conjugação de condições climatéricas que permitiram criar este vinho, o que não ocorre todos os anos. A chuva e a humidade que se fizeram sentir em Outubro permitiram a propagação do fungo (Botrytis Cinereae), seguindo-se várias semanas frias e soalheiras que provocaram a desidratação da uva e concentração dos açúcares, até à vindima ocorrida a 11 de Dezembro.

O resultado é um vinho de cor âmbar dourado, com uma densidade e intensidade aromática rica, onde se conjugam o mel, alperce seco, citrino confitado, notas florais e, mais importante e impositivo, os aromas fúngicos tão característicos e patentes neste género de vinhos. Na boca é intenso, denso, conjugando em equilíbrio e harmonia uma acidez pujante com uma doçura fina. Com uma persistência impressionante, um final interminável é servido a 9 graus, tornou-se a melhor das companhias para um final de noite, já sem qualquer acompanhamento que não fosse o copo Simplify, da Schott Zwiesel.