Quinta do Ribeirinho, de Luis Pato, conquista a excelência

96 pontos, na Wine Advocate de Robert Parker

Os provadores da publicação americana dedicada aos vinhos Wine Advocate, estiveram recentemente na Bairrada, onde tiveram a oportunidade de avaliar centenas de vinhos. A Mark Squires, discípulo e colaborador de Robert Parker cabe provar os vinhos portugueses e, desta vez, os vinhos da Bairrada foram colocados numa montra de elevado destaque, cabendo ao Quinta do Ribeirinho Pé Franco 2011, do produtor Luis Pato, a honraria de ser distinguido com 96 pontos, na escala de 100 valores definida pelo critico americano.

A Lei do Vinho visitou o produtor e quis saber mais sobre este vinho singular que desafia as probabilidades e sobre a história de uma praga que dizimou a vinha portuguesa.

 

A História

A grande praga das videiras chega à Europa através de um insecto que cruzou o Atlântico, vinda América no final da década de 1850: era a filoxera.

O primeiro registo que documenta a doença ocorre no Languedoc, em França, em 1863. As vinhas começaram a murchar e a morrer, sem que os viticultores compreendessem a evolução e as causas daquela doença. Rapidamente a praga estende-se por toda a Europa e, em apenas 15 anos, metade das videiras estavam completamente dizimadas. Só em 1868 é   que a causa da doença havia de ser descoberta pelo biólogo francês Jules-Emile Planchon, no entanto, a descoberta não trouxe uma solução e todas as medidas tomadas não impediram a praga de continuar a alastrar-se.

Foram dois viticultores franceses, Leon Laliman e Gaston Bazille, que sugeriram que a “vitis vinífera” podia ser enxertada com os porta-enxertos das videiras americanas, resistentes à doença, solucionando assim o problema. O método resultou e, até hoje, como ainda não foi descoberto um tratamento eficaz para o combate à filoxera, é aquele que prolifera mundialmente.

O “Pé Franco”

Não obstante os riscos, há hoje viticultores que desafiam as probabilidades e não abdicam de plantar as suas vinhas em pé franco, fincando directamente as raízes da planta mãe no solo, dispensando o uso do porta enxerto.

Em 1988, Luis Pato, cuja actividade na produção de vinhos havia sido iniciada quatro anos antes, após um aturado estudo dos solos, da característica das castas e pela observação do caso único de Colares, onde as videiras ficaram imunes à filoxera, decidiu cumprir o sonho de fazer um vinho como faziam os antigos antes da chegada da filoxera. Munindo-se dos conhecimentos e do exemplo de Colares, escolheu um solo arenoso, usualmente imune ao insecto, e plantou 1,2 hectares de Baga em Pé Franco. Em 1995, decorridos 7 anos do plantio das videiras, surge o primeiro “Quinta do Ribeirinho Pé Franco”, vinho que hoje celebramos.

Satisfeito com os resultados, Luis Pato duplicou a área de plantio em Pé Franco e, hoje, fazendo uso da sua costumada ousadia, duplicou os riscos, plantando também a Baga de Pé Franco em solo argiloso, com resultados igualmente assombrosos.

A atribuição dos 96 pontos pela Wine Advocate chega numa efeméride. Em 2018 passam 30 anos da data em que o produtor Bairradino ousou ser diferente e criou uma vinha donde nascem vinhos com um carácter absolutamente inimitável e verdadeiro porta-bandeira de Luis Pato.