El Capricho – Reino das carnes

Messi ou Ronaldo? Schumacher ou Senna? Serena ou Sharapova? A eterna dificuldade de escolher “O Melhor do Mundo” leva-nos a debates sem que nunca cheguemos a conclusões definitivas.

Com a Carne podemos atrever-nos a idênticas dúvidas? Talvez não seja o caso quando falamos das carnes produzidas (e confeccionadas) na pequena povoação de Jiménez de Jamuz

É em plena província de Castela e Leão que se situa a pequena povoação de Jiménez de Jamuz, lugarejo com menos de 1000 almas, onde o acontecimento mais importante é o crepitar da carne numa chapa quente. Contudo, a catedral da carne que esta terra alberga não é uma desconhecida para o mundo. A “Time”, o “NYT”, a “Life” ou o “The Guardian” já lhe dedicaram longas prosas e sucumbiram aos costeletões dos imponentes bois de José Gordon que são servidos nas cavernas escuras daquela que é hoje mundialmente reconhecida “Bodega El Capricho”.

Mas qual é o segredo por trás da fama destas carnes. A explicação é simples e reside no carácter quase obsessivo de Gordon pela qualidade da matéria-prima. No El Capricho não entram carnes de matadouro. Todos os animais são criteriosamente escolhidos pelo dono e provenientes, maioritariamente, de raças do Norte de Espanha e… Portugal. Barrosã, maronesa, minhota, rubia, gallega e asturiana, de bois, mas também vacas, criados ao ar livre e que vivem em harmonia nos pastos de Jiménez de Jamuz até às idades dos 7 aos 13 anos.

Terá sido esta excelência que cativou o restaurante Rei dos Leitões em trazer para a sua carta aquela que é por muitos considerada a melhor carne do Mundo, superando a Waigu. E A Lei do Vinho não resistiu a ir tirar teimas.

À Entrada exibiu-se um Carpaccio de lombo maturado com uns impressionantes 150 dias, acompanhado de pinhões e vinagre balsâmico, tendo sido uma oportunidade de provar a carne no seu estado mais íntegro e puro, naquelas suculentas e quase transparentes finas fatias. O prato principal era um majestoso costoletão de aproximadamente 1,5 quilos, previamente escolhido à mesa mediante a exibição de uma peça de carne premium vendida a um valor superior a 100,00 € o quilo.

Levado à chapa, o costoletão chega fumegante à mesa, seguindo-se todo o ritual de corte, com a primeira separação da porção mais grossa da gordura, que é barrada para deixar derreter os sabores. Segue-se o corte por secções e a disposição da carne mal passada na tábua, cabendo ao cliente a tarefa de escolher por onde começar a comer aquela voluptuosa peça que se desfaz na boca num misto de sucos, sabores e gordura. Será esta a melhor carne do Mundo? É uma discussão estéril perante um último olhar para aquele osso despido de carne que nos faz olhar à volta e cogitar se quem nos ladeia nas mesas levaria a mal que pegássemos nele para, selvaticamente, o levarmos à boca até o limparmos por completo como hienas esfomeadas.

A sugestão que fica é visitarem o Rei dos Leitões e retirarem as vossas próprias conclusões.